Eleitores da Califórnia, nos Estados Unidos, vão às urnas em novembro para dizer, em plebiscito, se aprovam a Proposição 8, uma medida do Estado que torna inconstitucional o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
O plebiscito tem origem numa decisão da Suprema Corte da Califórnia, que decretou inconstitucional, em maio, lei estadual que definia o casamento como um ato entre um homem e uma mulher, e determinou que casais do mesmo sexo têm o direito de designar suas uniões como casamento.
A decisão da Corte, disseram os bispos da Califórnia, “é uma mudança radical na política pública”, que “descarta a realidade biológica e orgânica do casamento”. Eles encorajaram os católicos a aprovarem a Proposição 8.
“Eu não penso em lhes dizer como votar, mas peço, sim, que rezem ao Criador por todos nós. Pensem e considerem os efeitos do seu voto nos outros, especialmente as minorias da nossa sociedade que estão sentadas próximas de vocês na igreja e no trabalho”, disse o padre diocesano Geoffrey Farrow, de Fresno, na pregação em missa do domingo, 5 de outubro.
Diante de um dilema moral frente a Proposição 8, Farrow abriu o voto e disse, na homilia, que sente-se moralmente obrigado a votar no “não”, segundo matéria de Chuck Colbert para o National Catholic Repórter.
À imprensa de Fresno o pároco admitiu ser gay. Ao guiar os eleitores católicos a votar “sim” pela Proposição 8, os bispos da Califórnia entram na arena política e ignoram os avanços e a compreensão da neurologia e da psicologia “e às próprias afirmações da igreja de que a homossexualidade é (uma orientação) inata”, disse Farrow à comunidade de St. Paul Newman Center, da Universidade da Califórnia, a qual pastoreia.
Em 2000, eleitores da Califórnia aprovaram medida similar, por 61% contra 38% dos votos, banindo o casamento de mesmo sexo. A Suprema Corte derrubou aquela decisão e estabeleceu a base para outro plebiscito.
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